sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

PIÁ na escola e agora? Reflexões sobre meu início no PIÁ e o início do PIÁ na EMEF Armando C. Riguetti.



Por Gisele Masotti Moraes

Após uma longa espera para ser chamada a participar pela primeira vez do PIÁ entre os meses de abril e maio de 2015, as curiosidades sobre o programa cresciam cada vez mais. Já tinha ouvido falar muito bem sobre o PIÁ e que este era um programa artístico bastante inovador que preza pelo respeito ao tempo da criança, pela criatividade, pelo acesso à cultura, pela criança como protagonista, pelo encontro e pela ludicidade através do brincar.

 Alguns naturalistas dizem que o ser humano nasce sabendo brincar. Friedrich Schiller, filósofo alemão, dizia que o ser humano somente é humano quando brinca, e é humano porque brinca. Essa é uma linha que diz que as pessoas já nascem  sabendo brincar. E existe outra linha, hoje muito discutida, que diz que o ser humano aprende a brincar. Eu tenho um olhar diferente. Vejo um diálogo entre as duas coisas. Tanto o ser humano já nasce com o potencial do lúdico, do brincar e da brincadeira, como ele também precisa aprender a brincar. Por exemplo: o bebê chega ao mundo, e o primeiro grande brinquedo dele é o próprio corpo e o corpo da mãe. Ele já nasce com o instinto lúdico. Mas é claro que, para a criança manipular objetos, brincar e dar sentido a uma brincadeira, muita coisa precisa ser aprendida. (FRIEDMANN, 2010, p.49).


Apesar de conhecer os princípios do programa, não conhecia os pormenores de seu funcionamento e o equipamento que me foi disponibilizado também era iniciante no programa. Este já se encontra funcionando em CÉUS, Bibliotecas, Centros Culturais, Teatros e Casas de Cultura de 2008 a 2013, sendo implantado em EMEF’S apenas em 2014. Em 2015 iniciou na EMEF Armando C. Riguetti, onde a Divisão de Formação da Secretaria de Cultura colocou apenas dois artistas educadores neste início. Possivelmente isto tenha ocorrido por motivos financeiros e por ser um projeto piloto, diferentemente dos outros equipamentos que trabalham com quatro artistas educadores de linguagens artísticas variadas (literatura, artes integradas, artes visuais, teatro, música e dança). Será que o fato de colocarem apenas dois artistas não descaracteriza o projeto que é formado por várias linguagens, além de restringir a oportunidade das crianças de um contato maior com todas elas, diminuindo o número de turmas sem ao menos saberem qual a demanda do equipamento? Será que a ampliação do programa sem um estudo prévio minucioso é benéfica?
            Representantes da escola me ligaram em busca de informações sobre o programa em meados de abril, mas como eu também era iniciante e não possuía nenhuma informação, disse que assim que as obtivesse entraria em contato. Foi aí, através da escola, que consegui o contato do meu parceiro de equipe, que para minha surpresa também era novo no programa. Será que o fato de colocarem duas pessoas novas em um equipamento novo facilita este processo de implantação? Ambos aguardamos a primeira reunião com nosso coordenador de equipe que ocorreu apenas em maio de 2015, onde obtivemos esclarecimentos sobre o programa e fizemos um primeiro contato com a escola. Antes disso, também tivemos uma semana de início com todos os artistas educadores do PIÁ. Pensei que nesta reunião obteria todas as respostas para meus questionamentos. Contudo, a insatisfação dos artistas educadores mais antigos era tanta com as atuais condições de trabalho que acabou refletindo na recepção dos novos integrantes, que penso, assim como eu, ficaram ainda mais confusos, ao invés de obterem respostas para seus inúmeros questionamentos. Portanto, foi através destes desencontros de informações que pude conhecer pela primeira vez as dificuldades que o programa vem passando em relação às condições precárias de trabalho, como por exemplo os curtos contratos que dificultam a fluidez e continuidade do programa nos equipamentos, reivindicações antigas que não foram atendidas, falta de vínculo empregatício e por consequência de alguns direitos trabalhistas, entre outros. Sobre esta precariedade na área cultural nos fala Néstor Canclini:

Tenho estudado as indústrias criativas e os empreendedores culturais e artísticos, e o que se observa é uma mudança, uma passagem da ideia de carreira para a de projetos. Quase não há contratos a longo prazo, vivesse na intermitência. Os jovens têm muitas dificuldades em criar uma carreira, em acumular trabalho, sobrevivem aos saltos, dividindo-se entre projetos distintos e fragmentados, que duram seis meses, depois ficam três meses sem trabalho, depois conseguem mais dois meses... Isso é a precariedade, uma condição que precisamos estudar como parte dos modos de produção artística da atualidade. Não estamos falando apenas da incerteza subjetiva do criador que duvida e questiona o resultado do que está produzindo, mas da condição socioeconômica que gera essa grande precariedade e fragilidade das condições de trabalho. (O Globo, 2015, p.3)

            Com o passar do tempo, as questões burocráticas foram sendo melhor compreendidas por mim e meu colega. Tivemos um primeiro contato físico com a escola, onde fomos muito bem recebidos e fizemos a divulgação do programa com brincadeiras em todas as salas, mas apenas dentro da escola, a pedido dos gestores e com o consentimento dos coordenadores, já que a demanda inicial parecia ser bem grande. Portanto, o questionamento sobre como desenvolver um trabalho artístico pedagógico expressivo e flexível proposto pelo PIÁ em um ambiente aparentemente rígido e disciplinador como a escola me fez pensar ainda mais sobre minha prática, o equipamento e o programa. Dessa forma, através da reflexão sobre a prática, espero contribuir de alguma forma para a melhoria na implantação de novos equipamentos, em especial nas escolas, para que levem em conta as especificidades de cada lugar. Ou seja, penso que para um novo equipamento ser implantado no projeto faz-se extremamente necessário um estudo sobre as condições físicas, demanda e interesses do equipamento, para a partir daí se pensar em uma parceria com o programa que possa atender as demandas e anseios de ambas as partes, sem deixar de lado os princípios do programa. A partir daí penso também estar contribuindo com meu desempenho como artista educadora, pois é somente quando paramos para refletir sobre o cotidiano no trabalho que conseguimos buscar novas possibilidades de melhoria.

Muitos estudiosos em Filosofia da Educação afirmam ser necessário, para fazer surgir uma prática educativa enraizada, ancorada em princípios filosófico-políticos, clareza e reflexão sobre a noção de ser humano, bem como sobre que Arte se quer ensinar: conexão onde pensar, discutir, refletir é meio caminho andado para delinear projetos, avaliar processos, desenhar continuidades, fazer escolhas futuras. (MACHADO, 2012, p. 4-5).

O contato inicial com a escola foi bastante interessante, todos nos receberam com muita empatia, fizemos uma breve reunião com professores e funcionários, onde eu e meu parceiro de equipe procuramos explicar os princípios e objetivos do programa apesar de nossa pouca experiência dentro dele. Contudo, no dia a dia dentro da escola e ao me lembrar das falas de Viviane Mosé[1], sobre a trajetória escolar que segmentou o saber e distanciou a escola da vida, fui percebendo o desafio que é levar a flexibilidade oferecida pelo PIÁ para as crianças que estão acostumadas aos gritos de ordem, à grade de disciplinas e às portas trancafiadas que nos remetem às celas de presídios e das provas que condenam os alunos ao fracasso.
Dadas estas condições, será que as crianças e pré-adolescentes vão querer retornar à escola em outro período para participar do PIÁ? Abrimos as turmas de acordo com as exigências do programa, uma com 15 vagas para idades entre 5 a 7 anos e outra entre 8 a 10 anos no período da tarde a pedido da escola para não coincidir com o horário de aula deles. Para nossa surpresa, apesar de ser o primeiro ano na escola, as turmas dos menores lotaram e ainda tivemos listas de espera devido a grande demanda. Também abrimos turmas para os mais velhos de 10 a 12 anos no período da manhã aparecendo pouquíssimas crianças, em torno de seis, permanecendo quatro até hoje. Outra turma que abrimos foi para 13 a 14 anos e apesar do grande interesse demonstrado no dia da divulgação, foram pouquíssimos e com o tempo estes foram deixando de ir por motivos de paqueras e parentes que foram saindo, sendo que ficamos sem esta turma a partir de outubro. Conversamos com nossos coordenadores de equipe que sugeriram a divulgação em outras escolas do bairro, partindo do princípio do programa de atender a comunidade. Fomos então até a direção da escola conversar sobre esta divulgação, no entanto, o diretor da escola nos explicou que para que esta divulgação fosse feita, deveria ser feito todo um estudo anterior, pois de acordo com ele, a entrada de pessoas de fora da escola é de responsabilidade da EMEF, ao contrário de outros equipamentos como CEUS que não possuem responsabilidade direta sobre quem entra e sai. Desta forma, concordamos com ele que é necessário um planejamento prévio e que por estarmos no final do ano seria melhor pensar em  alternativas para o próximo ano. Por isso, nosso coordenador nos pediu para elaborarmos neste tempo livre um relatório de implantação, contendo alguns dados sobre o equipamento e opiniões sobre as pessoas de dentro e de fora da escola sobre o Piá, para que no próximo ano, caso aconteça uma continuidade do programa no equipamento, esta continuidade seja facilitada através deste relatório e nossas reflexões.
Contudo, como fazer o PIÁ chegar até os pré-adolecentes que possuem uma resistência maior em retornar a escola no contraturno para participar do PIÁ, e de acordo com a direção escolar em outros projetos também. Como chegar até eles sem impor uma proposta ou obrigá-los a comparecer, mas ao mesmo tempo fazer com que eles participem de forma efetiva e com entusiasmo das atividades? Conversamos sobre isso com a equipe escolar que propôs uma espécie de organização de um baile onde chamaríamos alguns alunos para organizarem este baile com a nossa orientação para o final do ano. Criando desta forma, uma espécie de chamariz, já que eles gostam e já possuem o costume de montar a casa do terror para a festa junina que ocorre todos os anos. Quando conversamos com nossos coordenadores do PIÁ percebemos que esta proposta, apesar de válida, nao ia de encontro aos principios do programa, que não pensa em chegar com propostas prontas, mas sim construí-la aos poucos com as crianças, visando o processo e não o produto. Nosso objetivo não é que o PIÁ seja conhecido como o programa que planeja o baile anual da escola. Houve inclusive uma falta de comunicação inicial, ou desencontro de nossos coordenadores, com a escola para detalharem melhor os pormenores do programa e explicar que não trabalhamos com os planejamentos prontos a que eles estão acostumados. Meu colega e eu procuramos explicar para a direção da escola, mas nao sabemos se ficou bem claro para eles os princípios e o funcionamento do PIÁ. Desta forma, como nos pediram, fizemos um planejamento geral do trabalho que pretendíamos desenvolver, mantendo porém uma flexibilidade já que buscamos priorizar as proposições das crianças, o encontro e as suas possibilidades no momento presente.
Etretanto, meu intuito não é julgar ou criticar a escola que nos recebeu tão bem e pareceu estar bem organizada quanto aos seus objetivos de trabalho, mas como já disse anteriormente, refletir sobre esta relação antagônica que o PIÁ aparentemente apresenta no ambiente escolar e como essa relação pode ser construída de maneira benéfica para ambas as partes, através de trocas de experiências e diálogo. Apesar de não obter as respostas, levanto estas questões levando em consideração as diferenças entre as condições de trabalho do PIÁ e as condições de trabalho de uma escola. No PIÁ, apesar dos problemas que enfrentamos ,como por exemplo a falta de continuidade do programa que dificulta a construção desta relação, temos o privilégio de trabalharmos com poucas crianças por turma, de ter liberdade para planejar os encontros, levando em consideração os anseios das crianças, que são vistas como protagonistas do seu conhecimento e temos a oportunidade de explorar outros espaços além da sala de aula. Portanto o PIÁ busca levar para sua prática o conceito de criança performer de Marina Marcondes Machado:

O verdadeiro valor da noção de “criança performer” encontra-se no cotidiano, no mundo compartilhado, nos modos de vida – e não no âmbito educativo, artístico ou escolar. E também, trata-se de uma antiestrutura, criada e recriada pela criança (e não proposta pelo adulto, em um comando simplista tal como… “Vamos performar?”, o que seria ingênuo por parte do adulto, e artificialista). (Agachamento, 2014, s.p.)


Na maioria das escolas os professores trabalham com conceitos arraigados, precisam cumprir metas estabelecidadas pelo governo, fazer avaliações, trabalhar com muitos alunos de uma única vez, além da escola ser vista pelos alunos como algo desagradável na maioria dos casos. Características físicas da escola contribuem para esta visão, já que as portas ficam sempre trancadas como grades de presídios, corredores gelados, mesas enfileiradas e sinais que lembram as fábricas. No entanto, apesar da presença destas características presentes na maioria das escolas, e também na EMEF Armando C. Riguetti, esta possui um diferencial de ter as paredes de alguns corredores grafitadas com desenhos coloridos, amenizando um pouco esta visão que ainda persiste. Disponibilizaram para o PIÁ uma sala de aula para ser nosso ponto de encontro, mas também deram-nos a liberdade para utilizar outros espaços, algo que também faz parte do intuito do programa. Contudo, não podemos pintar as paredes da sala, que utilizam o espaço em outras disciplinas, precisamos compartilhar a sala com outros professores em alguns momentos, o barulho é quase sempre excessivo, as portas ficam sempre trancadas, temos horários fixos para o lanche e pouquíssimo espaço verde. Como se vê, mesmo com as tentativas e boa intenção da escola, os espaços nem sempre estão disponíveis, adequados ou são de fácil acesso, não é possível deixar as crianças correrem livremente, pois os funcionários sempre nos olham como se estivéssemos sendo imprudentes. Entendo que devemos sim zelar pela segurança das crianças, mas até que ponto este zelo deve chegar? E o risco não se faz necessário para o aprendizado?
Foucault, em Vigiar e Punir (2003), escreve que a disciplina imposta nas prisões e nos quartéis com o intuito de transformar os corpos dos indivíduos em corpos dóceis, também atingiu em características e formas o ambiente escolar:

Esse é o tempo disciplinar que se impõe pouco a pouco à prática pedagógica – especializando o tempo de formação e destacando-o do tempo adulto, do tempo do ofício adquirido; organizando diversos estágios separados uns dos outros por provas graduadas; determinando programas, que devem desenrolar-se cada um durante uma determinada fase, e que comportam exercícios de dificuldade crescente; qualificando os indivíduos de acordo com a maneira como percorreram essas séries. O tempo ‘iniciático’ da formação tradicional (tempo global, controlado só pelo mestre, sancionado por uma única prova) foi substituído pelo tempo disciplinar com suas séries múltiplas e progressivas. Forma-se toda uma pedagogia analítica, muito minuciosa (decompõe até aos mais simples elementos a matéria de ensino, hierarquiza no maior número possível de graus cada fase do progresso) e também muito precoce em sua história (antecipa largamente as análises genéticas dos ideólogos dos quais aparece como modelo técnico). (FOUCAULT, 2003, p. 135).


Penso que seria importante para o PIÁ ter um espaço só dele nos equipamentos para que possamos ter maior liberdade com as crianças durante os processos artísticos, quebrando tal lógica tão enrijecida. Também seria importante um espaço silencioso, para que o processo de escutar o outro fosse trabalhado com as crianças. Não nos limitaríamos a apenas um espaço, nos excluindo do restante da escola, mas teríamos um espaço nosso, um ponto de encontro e de liberdade, de bagunça mas também de organização para a partir dele explorarmos outros ambientes, nos apropriando de fato da escola. Não posso me referir diretamente aos outros equipamentos por ser meu primeiro ano no programa, mas a partir de uma visão inicial a partir das falas de algumas pessoas do programa, parece que os outros equipamentos oferecem uma maior liberdade em seus espaços, com algumas excessões de equipamentos que também apresentaram dificuldades para o desenvolvimento do programa.
 De todos os fatores elencados, pude perceber que aquele que mais dificultou nosso trabalho e entrosamento com a escola foi a aparente falta de planejamento na implantação do novo equipamento, faltando esclarecimentos sobre as especificidades de ambas as partes, escola e programa. Não tivemos maiores problemas, as atividades se desenvolveram tranquilamente na medida do possível com a participação das crianças e de alguns pais em alguns poucos  encontros que fizemos. Contudo, se as especificidades e demandas do programa e do equipamento fossem melhor especificadas para ambos logo na implantação, através de um intermédio mais efetivo, penso que o trabalho poderia ter se dado de maneira muito mais eficaz, pois suponho que faltou uma compreensão maior de ambas as partes sobre suas demandas.

Situo o ato criador como parte de um processo criativo. Não é um ato súbito, mas algo que requer um acúmulo de trabalho. Me interessa hoje explorar como o pensamento contemporâneo se vale da noção de criatividade, e identifico quatro características principais de todo processo criador. Primeiro, a inovação, que se refere a um processo de repetição que gera algo novo, que não existia. Uma segunda característica é a incerteza, porque a atividade criadora não transita por caminhos programados, de um início até um resultado previsível. Ela se desenvolve através de uma constante experimentação. Um terceiro aspecto é a precariedade, que designa a condição social de fragilidade e desproteção em que se desenvolvem, hoje, os processos criativos. E o último ponto que me interessa é pensar o processo criativo neste mundo globalizado e de interculturalidade, a relação entre o trabalho criador e a sociedade, mas a criação que não se limita apenas a responder às condições de uma cidade ou de um país, mas a um horizonte mais amplo. (O Globo, 2015, p. 2).


            Néstor Canclini, na citação acima, defende a liberdade do processo criativo, características do PIÁ, mas que encontram algumas barreiras, devido ao fato de que alguns equipamentos utilizados para sua implantação, vinculam-se a outros objetivos que são dados pela Secretaria Municipal de Educação e que, conforme descrito, têm caminhos rígidos na condução dos processos de ensino-aprendizagem. No entanto, penso que cabe a todos os envolvidos encontrarmos formas de amenizar estas diferenças para podermos proporcionar as crianças condições favoráveis para um trabalho adequado e instigante.

Agora é construir, em conjunto e societariamente, as interfaces e as interelações entre os eixos; é pensar ações criativas que levem as crianças e os jovens àqueles âmbitos; é procurar novos meios e modos de “avaliar” o que as crianças e os jovens estão aprendendo, e como estão aprendendo… a partir de tudo que pensamos ser importante ensinar, sim, como adultos responsáveis por seus processos de mergulho na educação estética, mas sem nunca deixar de prestar atenção a tudo aquilo que a convivência com elas está nos ensinando em contrapartida, em correlação, como correntezas de um mesmo rio, em transformação e em curso permanente.
Trata-se de pensar antropologicamente o ensino de Arte, onde dois importantes fundamentos são: ensino e sou ensinado por meus alunos; meus alunos não são “folhas de papel em branco”, possuem herança cultural e biografia anterior ao encontro comigo e com as aulas de Arte… E será desse “material” entre mundos, entre corpos, entre tempos e espaços que projetos serão criados. (MACHADO, 2012, p. 19-20).


Tendo em vista tal cenário, cabem-nos questionamentos sobre como desenvolver um trabalho artístico e pedagógico expressivo e maleável, num ambiente  aparentemente rígido e disciplinador. Estes questionamentos ainda não podem ser respondidos de maneira satisfatória, mas penso que a reflexão e o diálogo entre os propositores do projeto e os representantes dos equipamentos ainda é um ponto de partida importante e que deve ser levado em consideração. Todas as perguntas sobre a relação antagônica que o PIÁ parece apresentar no ambiente escolar e como essa relação pode ser construída de maneira benéfica para ambas as partes, através de trocas de experiências devem ser levadas em consideração e levadas para o debate, que inclusive deve se estender a toda a comunidade de abrangência.


           
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.
AGACHAMENTO. Nota de Rodapé, ou: moldura para o texto “A criança é performer”, Disponível em: <http://www.agachamento.com/?p=1283> Acesso em 20/09/15.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Nascimento da Prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
JORNAL O GLOBO. O precário é condição predominante na criação, diz Néstor Canclini. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/cultura/oprecariocondicaopredominantenacriacaodiznestorcanclini15861981> Acesso em 26/10/15.
MACHADO, Marina Marcondes. Fazer surgir antiestruturas: abordagem em espiral para pensar um currículo em Arte. Revista e-curriculum, São Paulo, v. 8, n. 1, abril 2012. Disponível em: <http://revistas.pucsp.br/index.php/curriculum> Acesso em 26/10/15.
VILLELA A. L., FRIEDRIMANN A., HORTÉLIO L., Criança e consumo. Vol. 5. São Paulo: Instituto Alana, 2010.





Os Desafios Contemporâneos: A Educação - por Viviane Mosé (Café Filosófico) – Completo.

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